Filosofia
Nicolas Lisboa

EM DEFESA DO TRADICIONALISMO CRÍTICO: RESPOSTA AO TRADICIONALISMO DÓCIL

Dentre as “soluções eclesiológicas” que se propõem a examinar criticamente as múltiplas doutrinas do Concílio Vaticano II, as opiniões teológicas denominadas tradicionalismo crítico e tradicionalismo dócil despontam como duas teses divergentes. Elas disputam espaço entre os católicos tradicionais em relação ao curso de ação mais seguro no atual cenário da crise eclesial e sobre qual tese é teologicamente mais sólida. Ambas as posições concordam, em certo grau, sobre a atual circunstância de excepcionalidade da Igreja e sobre a autoridade impositiva do Magistério precedente.

A primeira opinião provável, que tem o Mons. Brunero Gherardini e o Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira como adeptos, assume a possibilidade de um julgamento teológico negativo às declarações do Magistério não irreformável, ainda que expresso publicamente. Enquadra-se o Vaticano II dentro desta categoria de ensino não definitivo, que é expressa em encíclicas, documentos das congregações romanas sancionados pelo Papa e doutrinas costumeiras na Igreja. Já a tese do tradicionalismo dócil, aqui representada pelo filósofo tomista Carlos Nougué, sustenta que não é lícito discordar dos ensinos autoritativos do Magistério eclesiástico em vista de sua natureza normativa e da assistência divina nos atos não definitivos. Nougué é um confesso seguidor das teses do Pe. Álvaro Calderón a esse respeito. Assim, o juízo negativo em relação ao Vaticano II dar-se-ia justamente por seu caráter não magisterial, por ter sido ele mesmo despojado da autoridade própria.

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Filosofia
Lázaro M. C. Oliveira

UM BREVE TRATADO SOBRE A PRAGMÁTICA LINGUÍSTICA E OS ASPECTOS KANTIANOS DE ROBERT BRANDOM

É inegável que Brandom é um dos mais influentes pensadores da discussão analítica, elaborando uma extraordinária referência com os seus trabalhos. Brandom estabelece uma linha tênue entre a pragmática formal e semântica inferencial.

Ele estabelece que o espírito finito, maneja e opera de modo racional sob as normas de um mundo independente dele em uma práxis sobre um entorno social. A práxis discursiva compõe-se numa troca de asserções exprimidas e recebidas por cada participante e, com as pretensões de validade discursivas, se converte em uma universalidade.  Na medida em que incorporamos conceitos e obedecemos às normas semânticas – a relação entre mente e mundo de um indivíduo dentro de uma práxis discursiva tem o status normativo quando o pensamento objetiva um juízo ou estabelece uma crença, e este mesmo pensamento é responsável sob o mundo, entendido como as coisas são apresentadas – de um pensamento inferencial nos locomovemos no “espaço das razões”, “Space of reasons”.

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