A Práxis Discursiva e o Espaço das Razõe
– É inegável que Brandom é um dos mais influentes pensadores da discussão analítica, elaborando uma extraordinária referência com os seus trabalhos. Brandom estabelece uma linha tênue entre a pragmática formal e semântica inferencial.
Ele estabelece que o espírito finito, maneja e opera de modo racional sob as normas de um mundo independente dele em uma práxis sobre um entorno social. A práxis discursiva compõe-se numa troca de asserções exprimidas e recebidas por cada participante e, com as pretensões de validade discursivas, se converte em uma universalidade. Na medida em que incorporamos conceitos e obedecemos às normas semânticas – a relação entre mente e mundo de um indivíduo dentro de uma práxis discursiva tem o status normativo quando o pensamento objetiva um juízo ou estabelece uma crença, e este mesmo pensamento é responsável sob o mundo, entendido como as coisas são apresentadas – de um pensamento inferencial nos locomovemos no “espaço das razões”, “Space of reasons”.
Every aspects of the content of an intuition is present in a form in which it is already suitable to be the content associated with a discursive capacity, if it is not – at least not yet – actually so associated. That is part of the force of saying, with Kant, that what give unity to intuitions is the same function that gives unity to judgments.
— John Mcdowell, Avoiding the Myth of the Given
O conteúdo de uma experiência perceptiva é conceitual em em consequência da introdução em operação da espontaneidade de imediato na sensibilidade. Uma experiência perceptiva já é conceitual, quando podemos apreender o mundo em forma intuicional.
A teoria citada coloca os atos de fala assertóricos como essenciais, levando-nos a pretensões de verdade e apresentando-nos motivos para sustentá-las. Essa razão depende das normas lógicas e conceitos-semânticos intersubjetivos, na qual ambos podem ser encontrados e deduzidos em uma comunidade linguística. As normas do agir e falar guiam o comportamento, porém eles não precisam de nenhum conhecimento da regra. Mesmo assim, os falantes, a princípio, reconstituem reflexivamente o que sabem fazer e exprimem-no. Utilizando-se da lógica os participantes da comunidade linguística assimilam-na a semântica. Esse aspecto pragmático segue a teoria de Wittgenstein, na qual, uma comunidade linguística precede as intenções privadas dos falantes. A tradição pragmática então leva a seguinte pergunta: após a práxis pública de a comunidade linguística levar a substituição das representações de objetos para os conteúdos proposicionais comunicados, o que seria a ‘’verdade’’? Essa substituição é um grande marco, pois o que é tratado como verdade é substituído para quando tratamos uma proposição como em si verdadeiro.
O que é determinado por Brandom como ‘’Production and consuption of reasons’’ seria fruto de um conceito do discurso, ao ajustar-se a semântica inferencial dita. Este pode também se transpor em silogismos materiais. Assim transpomos também relações empíricas para as pessoas dentro da comunidade linguística. Segundo Sellars, as fundamentações das circunstâncias de um possível emprego de expressão apoiam-se em relações inferenciais materiais, relações na qual se dão sentido na práxis da comunidade linguística, onde essa relação empírica se toma no curso inferencial na rede de relações semânticas de uma língua.
Brandom atribui a necessidade da suposição de objetos nas quais negamos ou atribuímos valor no sentido de referência, ao papel lógico no qual na moldura das transposições inferenciais, substituímos expressões por expressões equivalentes. A referência ao mundo pela linguagem, não é só feita em referência de objetos ela se mantém em uma dependência de dualidade entre a referência e representação de fatos. Brandom parte de uma perspectiva objetivista, concebendo como Wittgenstein o mundo como a totalidade dos fatos, os fatos sendo o que é enunciado em uma sentença verdadeira, partindo para um idealismo objetivo, Brandom relaciona o mundo intersubjetivo e o mundo objetivo, ele configura a objetividade dos conceitos como remetente do conteúdo objetivo de um mundo já em si conceitualmente estruturado. O conteúdo objetivo das relações precisa apensar ser discursivamente aplicado nos discursos, desbravando assim uma relação empírica na práxis discursiva. A partir do momento que o intérprete confere a um falante pretensões de verdade, ele inclui suas próprias descrições e avaliações aos atos de fala observados em outro.
Conclusão
Bem, tentei deixar um pouco claro o que pra mim compõe grande parte do pensamento do Robert Brandom. Um breve texto, na qual tentei abreviar os aspectos pragmáticos e as noções lógicas inseridas na relação de uma práxis social e seus conceitos.
Referências
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